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sábado, 21 de janeiro de 2012

leviathan - deepest secrets beneath (1994)

Assim que este disco chegou às minhas mãos, comentei com o André que sua publicação aqui no blog seria obrigatória. Fico impressionado com a quantidade de coisas boas que não fizeram o devido sucesso, embora tempos depois se tornem clássicos, relíquias que servem de inspiração. Este é o caso de Deepest Secret Beneath (1994) da banda estadunidense Leviathan.

Aqui temos uma espécie de “progressive power metal” tão criativo e bem estruturado que a incógnita musical chamada anos 90 foi incapaz de assimilar. O álbum é bastante linear, homogêneo e as faixas são permeadas o tempo todo pelas mesmas afinações, teclados e coros de estúdio. Recursos suficientes na medida e muita maturidade.

Talvez o grande trunfo seja o domínio explícito dos guitarristas sobre seus instrumentos: John Lutzow e Ronnie Skeen deitam e rolam sobre cada fraseado e abusam da simplicidade, os caras emocionam até nos acordes mais básicos e ensinam pra muito discípulo de Malmsteen por aí como se deve extrair feeling sem perder de vista a técnica.

Estão muito bem acompanhados pela firme marcação do baterista Ty Tammeus – cujas inversões não deixam a música cair no marasmo, defeito comum no progressivo – e pela linha melódica sem frescuras de James Escobedo. O vocal de Jack Aragon não me soa espetacular, mas também não consigo imaginar melhor textura que a dele para completar a proposta humilde (no melhor dos sentidos) que exala deste disco.

Um trabalho sabidamente metal, porém tão polido que ganha ares de concerto. Melhor coisa que faço é estacionar os elogios numa só palavra: essencial.

Track List:
1. Confidence Not Arrogance
2. Sanctuary
3. The Calling
4. Painful Pursuit of Passion and Purpose
5. Not Always Lost
6. The Falling Show
7. Run Forever
8. Disenchanted Dreams (Of Conformity)
9. Speed Kills

Você pode baixar este disco aqui.

domingo, 19 de junho de 2011

ralf scheepers - scheepers (2011)

Ralf Scheepers (ex-Gamma Ray, Primal Fear)




Uma experiência que sempre me deixa com pulga atrás da orelha é ouvir o trabalho solo de algum vocalista, especialmente quando ele rompe com a banda que lhe projetou para a fama. São muitos os casos de fracasso, às vezes porque o vocalista não soube conduzir um álbum inteiro sozinho, às vezes porque não era tão bom compositor quanto julgava ser. Destas incursões, tão frequentes quanto duvidosas, costumam sair baladas com algum potencial de venda, turnês fraquíssimas e biografias fragilizadas pela dependência de uma line-up fixo. Para vender e convencer, um álbum precisa lembrar algo feito por uma banda, esta é a grande verdade. É nesta identificação com o nome forte de uma banda e seus membros que os projetos solo costumam esbarrar, por melhores que sejam.

Teoricamente, o álbum solo é uma tentativa corajosa de encaixar ideias que não serviram para a banda principal. Scheepers (2011) faz exceção à regra e traz uma sonoridade bastante parecida com os primeiros anos do Primal Fear misturado com um pouco de Judas Priest. Vale lembrar que um dos grandes empecilhos para a aceitação de um álbum solo são os detalhes obscuros que o produtor adota no sentido de tornar a obra mais “cult” e separar a imagem do membro dissonante em relação ao resto da banda. Ralf Scheepers, que vai muito bem obrigado no Primal Fear, não incorre nesse tipo de erro e faz um trabalho matador com uma proposta nítida que não precisa de várias audições para ser assimilada.

Ralf é um excepcional cantor e não precisa provar nada sobre seus dotes musicais, talvez por isso o álbum tenha saído tão leve e fácil de ouvir. A qualidade do disco é inquestionável e soa feito um power/heavy metal tradicional que só a Alemanha sabe produzir. A produção é assinada por Matt Sinner e conta com as ilustres participações de Kai Hansen (quase um rei Midas do metal: onde coloca a mão sai trabalho bom) e Tim “Ripper” Owens (substituto de Rob Halford no Judas Priest na década de 90, posto que Ralf, fã confesso, nunca negou almejar).

As primeiras seis faixas, num total de doze, são de pura inspiração e pegada, todas com peso e refrões grudentos que levam o ouvinte a pensar o porquê de não serem melhor aproveitadas pelo Primal Fear. O peso diminui um pouco com algumas experimentações e o cover da balada Before the Dawn – com todo respeito aos deuses do Judas Priest, eu achei o cover mais legal que a original –, mas a qualidade se mantém firme. Afirmo categoricamente que, desde o Silicon Messiah (Blaze Bayley) não ouço um trabalho solo tão ambicioso e convicto de si, vale a pena conferir.

Track List
1. Locked in the Dungeon
2. Remission of Sin
3. Cyberfreak
4. The Fall
5. Doomsday
6. Saint of Rock
7. Before the Dawn
8. Back in the Track
9. Dynasty
10. The Pain of the Accused
11. Play With Fire
12. Compassion

O álbum pode ser baixado aqui.

terça-feira, 5 de abril de 2011

stratovarius - elysium (2011)

Timo Kotipelto, Jens Johansson, Matias Kupiainen,
Jörg Michael e Lauri Porra




Após a saída do guitarrista e fundador Timo Tolkki, compositor de 95% das músicas do grupo até então, tudo parecia perdido. Sua trajetória é a própria ascensão dos finlandeses do Stratovarius no cenário do metal melódico. Sem querer parecer ingrato ou julgar sua inquestionável genialidade e contribuição ao estilo, meu único recado a ele hoje seria “obrigado por tudo, mas hoje eu pago pra ver o que será da banda sem você”.

Este é o segundo álbum do grupo sem o seu antigo cérebro e parece que eles acertaram a mão. Não chega a ser tão célebre para sua época quanto os Episode (1996) e Visions (1997) e por isso talvez alguns fãs xiitas da banda torçam seus narizes para o trabalho mais recente. Particularmente, encaro com otimismo todas as incursões a que se propôs a banda, incluindo as variações vocais do Timo Kotipelto e a sensibilidade apurada do Jens Johansson nas distorções de guitarra em passagens ora melancólicas, ora velozes.

Tive também a oportunidade de ouvir o mais recente projeto do Tolkki intitulado Symfonia (2011), cujo line-up traz um André Mattos afinadíssimo como sempre e bem menos anasalado. É um trabalho de absoluto respeito, todavia incorre no mesmo erro que calcificou por uma década a obra dos nórdicos: a discografia de Tolkki ganha outra ode a si mesmo com direito a sons de cravo e toda a ladainha deveras conhecida.

É sempre bom ouvir um trabalho de power metal passando longe do estereótipo “salvem a princesa das garras do dragão que se esconde nas masmorras”. Era disso que os Stratovarius precisavam se livrar. Acho que conseguiram.

Track List
1. Darkest Hours
2. Under Flaming Skies
3. Infernal Maze
4. Fairness Justified
5. The Game Never Ends
6. Lifetime in a Moment
7. Move The Mountain
8. Event Horizon
9. Elysium

Você pode baixar o álbum aqui.

terça-feira, 29 de março de 2011

helloween - live in the u.k. (1988)

Ingo Schwichtenberg, Michael Weikath, Michael Kiske,
Kai Hansen e Markus Grosskopf

Em meados dos anos oitenta, em clara resposta à crescente onda de vertentes extremas que emergiam no cenário, surge o power metal, uma espécie de heavy metal mais melódico que o habitual, combinando voz limpa e aguda, temas épicos e rapidez na execução. A teoria corrente defende que o estilo teve sua formatação definitiva com a banda Helloween e eu defendo que os alemães não têm a menor culpa sobre o flower metal que bandas como Rhapsody of Fire e Dragonforce fazem hoje em dia alegando suas influências.

O álbum que vos trago é a compilação de um show realizado em Edinburgh, quatro dias antes do meu nascimento, por aquela que talvez seja a melhor formação do grupo: o vocal potente do jovem Michael Kiske, as bem-casadas guitarras de Kai Hansen e Michael Weikath, a linha melódica concisa e sem virtuosismos desnecessários do baixo de Markus Grosskopf e a bateria de Ingo Schwichtenberg que seria copiada sem o menor pudor por bandas mundo afora.

Diga-se de passagem, toda a sonoridade elaborada pelos Helloween cedo ou tarde seria alvo de réplica, cada vez com menos peso e mais floreios.

Esta é uma banda extremamente técnica e, ao contrário do que a tendência sugere, seu primeiro registro oficial ao vivo não é nada burocrático. Temos um trabalho de músicos entrosados, íntimos da plateia escocesa e bastante à vontade para imprimirem seu ritmo. Vale também pela versão de How Many Tears (única do clássico Walls of Jericho que figura na setlist) na interpretação do Kiske.

Track List
1. A Little Time
2. Dr. Stein
3. Future World
4. Rise and Fall
5. We Got the Right
6. I Want Out
7. How Many Tears

O download do álbum e da bootleg pode ser feito aqui.