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sábado, 29 de setembro de 2012

scorpions - taken b-side iii

Da esquerda para a direita: Matthias Jabs, Pawel Maciwoda,
Klaus Meine, James Kottak e Rudolf Schenker.

Em abril de 2011, publiquei aqui no blog uma novidade para todos os fãs de Scorpions: uma coletânea com músicas raras, nunca lançadas oficialmente ou versões que foram poucas vezes executadas ao vivo. A coletânea, de nome Taken B-Side II, é um trabalho meu e de meu amigo David e foi lançada em primeira mão aqui no blog. Dando prosseguimento ao trabalho, e em comemoração à recente passagem dos Scorpions pelo país (dia 11 de setembro em Belo Horizonte, dias 20 e 21 em São Paulo), conseguimos reunir mais uma sessão de clássicos, intitulada (pasmem!) Taken B-Side III.

Com relação ao trabalho anterior, posso afirmar que, em termos de qualidade de áudio, o Taken B-Side III supera de forma considerável o seu anterior. Tivemos acesso a vídeos com uma qualidade superior pelo YouTube, através das postagens de fãs da banda por todo o mundo, e pudemos portanto selecionar melhor o que teria qualidade aceitável ou não para entrar no disco. Aliado à normalização de volume e ao processo de correção das músicas em si, posso dizer que o trabalho final ficou muito melhor.

Em 2011, os Scorpions lançaram oficialmente mais um disco, Comeblack, contendo versões atuais para músicas já consagradas, bem como covers de outras bandas igualmente consagradas como os Beatles e os Stones. As três primeiras músicas do Taken B-Side III baseiam-se no lançamento do Comeblack. Big City Nights, clássico absoluto do Love at First Sting (1984) e uma das sobras de estúdio do disco dos Scorpions, abre a coletânea. Em seguida, o cover da música originalmente lançado por Gloria Jones, Tainted Love, em uma versão ao vivo. A terceira música que, assim como Big City Nights, é uma das sobras de estúdio do Comeblack, é um cover dos Yardbirds, Shapes of Things.

Agora, uma segunda trinca: versões ao vivo para músicas do Savage Amusement (1988), o décimo disco de estúdio dos Scorpions. Every Minute Every Day vem para abrir a sequência; depois, os famosos talk-box de Matthias Jabs, mais conhecidos pela versão de estúdio em The Zoo, do disco Animal Magnetism (1980), vêm na versão ao vivo de Media Overkill. Pra fechar, a versão ao vivo da terceira música do Savage Amusement, a espetacular Passion Rules the Game.

Dando prosseguimento ao disco, uma faixa muito interessante na carreira da banda: Heartbreaker. Trata-se, na verdade, de Bad Boys Running Wild, música lançada em 1984 no disco Love at First Sting, mas ainda inacabada - na verdade, Bad Boys Running Wild é uma versão modificada de Heartbreaker, já que a letra e mesmo a melodia têm pequenas diferenças em relação à lançada oficialmente. É interessante salientar que Heartbreaker, tal qual Pretty at Nite (que saiu no Taken B-Side II), pertence ao Love at First Sting Rehearsals (1983), um famoso bootleg gravado durante os ensaios para o lançamento do disco, propriamente dito, e que contava com Jimmy Bain nos baixos e Bobby Rondinelli na bateria (ambos à época integrantes do Rainbow), no lugar de, respectivamente, Francis Buchholz e Herman Rarebell.

Na sequência, mais uma faixa do Savage Amusement, Love on the Run. Thunder and Lightning, faixa bônus do último disco de inéditas dos Scorpions, Sting in the Tail (2010), vem dar sequência ao disco. Agora vem o cover do The Who, Can't Explain, lançado pelos Scorpions na coletânea de 1989, Best of Rockers 'n Ballads, em uma raríssima versão ao vivo. Vem em seguida um cover do UFO, Lipstick Traces, lançado no álbum Phenomena (1974), com Michael Schenker nas guitarras - Michael que, além de irmão de Rudolf, chegou a tocar nos Scorpions em duas oportunidades: no disco de 1979, Lovedrive (que marcava também a entrada de Matthias Jabs na banda) e no debut Lonesome Crow (1972).

E por falar no debut, eis uma das maiores surpresas do disco: a primeira música composta pelos Scorpions, I'm Going Mad, em uma versão raríssima de estúdio, gravada em um single e lançada em 1971 - posteriormente, ela seria também a primeira faixa do Lonesome Crow. Outra raridade é Hell Cat, música originalmente lançada no Virgin Killer em 1976, e aqui com uma versão ao vivo que foi cortada do famoso lançamento dos Scorpions de 1978, Tokyo Tapes.

Capa do Taken B-Side III. As imagens da capa são ensaios do austríaco Gottfried
Helnwein, modelo da capa original do disco Blackout, de 1982.
Hora de o atual batera da banda dar o ar de sua graça na coletânea. James "Crazy" Kottak, conhecido por sua técnica ímpar e por sua irreverência ao vivo, aparece em duas faixas aqui. A primeira delas é SaveUrLove4Me, pouquíssimo conhecida mesmo por alguns fanáticos pelos Scorpions e lançada em 1984 em sua banda, o Apex, numa apresentação no The Garage Club em Jeffersonville, Indiana, EUA. A segunda faixa de Kottak aqui é Holiday, uma versão de estúdio que ele gravou em sua banda, o Kottak, no seu disco debut, Therupy (2006).

Eis aqui uma das muitas músicas subjugadas pelos Scorpions ao vivo, e que acabou se tornando uma das minhas músicas favoritas: a excepcional China White, penúltima faixa do álbum Blackout (1982). A faixa é especial principalmente porque, até onde sei, não há muitos registros dessa música ao vivo, mesmo durante as turnês do Blackout.

Don't Stop at the Top, mais uma do Savage Amusement e mais uma ao vivo, é a décima sétima faixa do disco. A única faixa do Animal Magnetism presente na coletânea é Don't Make No Promisses, também em versão ao vivo, cuja letra retrata as aventuras sexuais, digamos, não convencionais do baterista Herman Rarebell de forma muito divertida. Segue-se a coletânea com mais uma (a quinta e última) faixa do Savage Amusement: We Let it Rock... You Let it Roll, em uma de suas raras aparições nos palcos dos Scorpions.

Por fim, duas faixas icônicas, cada uma a seu modo: The Same Thrill é mais uma das músicas do disco de 1984, Love at First Sting, uma das que não ganhou tanta projeção perante o público - o disco por si só parece uma coletânea, já que boa parte das músicas presentes (inclusive os hinos Rock You Like a Hurricane e Still Loving You) foram muito aclamadas nos palcos e nas rádios ao redor do mundo. Aqui, conseguimos trazê-la em uma versão ao vivo. Pra fechar a coletânea com chave de ouro, como bônus, uma das raríssimas músicas com Uli Jon Roth nas guitarras que tem gravação ao vivo: a belíssima Far Away, do disco Fly to the Rainbow (1974).

Para baixar o disco, clique aqui.


Track List
1. Big City Nights
2. Tainted Love
3. Shapes of Things
4. Every Minute Every Day
5. Media Overkill
6. Passion Rules the Game
7. Heartbreaker
8. Love on the Run
9. Thunder and Lightning
10. Can't Explain
11. Lipstick Traces
12. Hell Cat
13. I'm Going Mad
14. SaveUrLove4Me
15. Holiday
16. China White
17. Don't Stop at the Top
18. Don't Make No Promisses
19. We Let it Rock... You Let it Roll
20. The Same Thrill (bônus)
21. Far Away (bônus)

domingo, 4 de março de 2012

scorpions - eye ii eye (1999)

Se há alguma semelhança entre todos os fãs, de todos os artistas musicais, de todos os gêneros possíveis e imagináveis, é esta: sempre vai ter alguém que vai chiar quando o artista/a banda em questão lançar um disco que foge do escopo que linearizou em seus álbuns anteriores. Não é algo absurdo, diga-se de passagem; fã que é fã defende com unhas e dentes o som característico de seus artistas favoritos. Há discos que fogem da proposta da banda e que se tornam verdadeiros fracassos - o caso mais recente é o Metallica e seu lançamento, em parceria com Lou Reed, do Lulu, eleito o pior lançamento do ano passado. Mas em outros casos, como o Iron Maiden em seu clássico Somewhere in Time (1986), a recepção, a princípio, é enfaticamente negativa e, com o passar do tempo, o panorama muda radicalmente - o SiT hoje é um dos maiores clássicos da Donzela. Na verdade, o que caracteriza a aceitação de um disco desse tipo por parte dos fãs vai muito mais do bom senso musical deles - e, obviamente, da banda.

Eye II Eye é, de longe, o disco que é mais "oito ou oitenta" dentre todos os 18 discos da discografia de estúdio dos Scorpions; há quem ame, e há quem deteste. Com a entrada do californiano James Kottak na banda, a banda decidiu abrir mão do hard rock clássico (por vezes flertando com o glam metal) que acompanhava a banda desde o lançamento de seu conceituado disco Blackout (1982) para fazer uso de novas sonoridades. Posteriormente, a banda lançaria um disco orquestrado com a Orquestra Filarmônica de Berlim, o Moment of Glory (2000); em 2001, a banda foi até o Convento do Beato, em Lisboa, gravar o disco que se tornaria o Acoustica, em formato acústico. Mas o primeiro disco a integrar essa nova era nos Scorpions fazia uso de batidas eletrônicas, mesclando o pop dos anos 1990 com o tradicional hard rock da banda.

Aliás, é bom ressaltar uma coisa: Eye II Eye está bem longe de ser um disco para se conhecer os Scorpions. Na verdade, os alemães são uma das bandas mais versáteis em termos de estilo que eu já tenha ouvido, com músicas que foram desde um heavy metal extremamente sujo, beirando o thrash, até composições que tragam o espírito progressivo-psicodélico, característico da década de 1970, passando por estilos como o flamenco, o frevo, o blues, o speed metal e, claro, muito hard rock. Mas Eye II Eye é talvez o único álbum de toda a discografia da banda que foi totalmente rejeitado pelos seus fãs logo de cara - seu antecessor imediato, Pure Instinct (1996), trazia uma série de baladas românticas, que consagraram a banda e, de certa forma, se tornaram a identidade dos alemães de Hannover perante o grande público, gerando até um certo preconceito de algumas pessoas, e talvez esse seja um dos motivos de tamanha rejeição.

Individualmente, há muito pouco o que se falar da banda, justamente pela característica de ser um disco moldado sob o estilo pop. Pode-se atentar ao baixo sempre muito presente de Ralph Rieckermann - para os que reclamam de que o baixo é um instrumento muito ausente, em termos auditivos (o que eu discordo veementemente), Eye II Eye é um disco interessante pra se mudar essa postura. Talvez isso se deva ao fato de que as guitarras são bem menos presentes do que haveria de se esperar de um disco de hard rock; na mixagem, ouve-se quase nada de Rudolf Schenker e Matthias Jabs na maioria das músicas, com exceção (óbvio) dos solos. A bateria do estreante Kottak, nota-se claramente (em particular ao ouvir lançamentos posteriores, como o Unbreakable (2004)), foi moldada para os padrões do disco, o que limitou bastante seu trabalho. Com relação a Klaus Meine, não há absolutamente nada a se dizer: o alemão prova, pela enésima vez, o poder de suas cordas vocais e o porquê de frequentemente estar listado entre os grandes vocais de todos os tempos.

Como um disco, Eye II Eye prova-se um tanto inconsistente. O disco é cheio de altos e baixos em sua extensão, com músicas que boa parte adora, mesclada com faixas que são até um pouco non-sense e seguidas por faixas que a maioria detesta. Falando por mim mesmo, as três primeiras faixas refletem exatamente isso - respectivamente Mysterious, To Be n° 1 e Obsession. Talvez por ser tão dual, não há como se citar faixas específicas que podem ser taxadas de boas ou ruins, vai muito do feeling. Conversando com fãs da banda, no entanto, e baseado no meu próprio gosto pessoal, me parece que a já citada Mysterious, bem como a faixa-título (uma homenagem aos pais mortos de Schenker e Meine, os frontmen da banda) e a belíssima A Moment in a Million Years sejam as preferidas da maioria. Acrescentaria ainda as duas músicas mais pesadas do disco, Mind Like a Tree e Aleyah, como destaques positivos. Sem sombra de dúvidas, Eye II Eye é uma audição interessantíssima, inclusive para tentar se libertar de certos preconceitos musicais que todos temos.

Track List

1. Mysterious
2. To Be n° 1
3. Obsession
4. 10 Light Years Away
5. Mind Like a Tree
6. Eye to Eye
7. What U Give U Get Back
8. Skywriter
9. Yellow Butterfly
10. Freshly Sqeezed
11. Priscilla
12. Du Bist So Schmutzig
13. Aleyah
14. A Moment in a Million Years

Baixe o álbum aqui.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

scorpions - taken b-side II (2011)



Da esquerda para a direita: Matthias Jabs (guitarrista solo), Rudolf Schenker (guitarrista base), Klaus Meine (vocalista), Paweł Mąciwoda (baixista) e James Kottak (baterista)





Tenho um fanatismo extremo pelos Escorpiões de Hannover. Como descrevi em meu post introdutório, foi a banda que me trouxe ao rock, a primeira do estilo que me despertou interesse. Tamanho fanatismo me proporcionou pesquisar e conhecer fatos e músicas que a maioria desconhece. Seguindo essa proposta, um dos milhões de fãs da banda criou um disco-bootleg, o Taken B-Sides, apresentando várias essas músicas: algumas que foram lançadas como bônus dos discos da banda, outras lançadas em singles e coletâneas. E em uma das conversas casuais de MSN com meu amigo David, igualmente fanzaço da banda, surgiu a ideia: que tal fazer um disco só com raridades? Foi daí que surgiu o Taken B-Sides II, um disco apenas com músicas não lançadas pela banda, com covers de outras bandas, como Alabama Song (The Doors) e My Generation (The Who) e com novas versões de músicas já consagradas pela banda, como Big City Nights e Holiday.

Primeiramente, peço desculpas se o disco peca pela qualidade. Algumas músicas foram retiradas do YouTube, e apresentações ao vivo, gravadas por fãs, e obviamente ficam bem aquém do que se pode considerar de boa qualidade. O David conseguiu mexer em algumas delas, deixando-as um pouco melhores, e eu achei o trabalho muito bom. Depois, trabalhamos na escolha das músicas e no nivelamento de volume entre elas. Finalmente, coube a mim a escolha da ordenação que eu julguei a ideal e a edição das ID Tags, além do upload. E cá está o trabalho, prontinho.

Vamos às músicas. Primeiro, um dueto entre Klaus Meine, vocalista dos Scorpions, e Tobias Sammet, em seu projeto Avantasia, soltando a voz em Dying for an Angel, música lançada no disco The Wicked Symphony, de 2010. Na sequência vem Pretty at Night, uma instrumental que ficou entre as "sobras de estúdio" do conclamado disco Love at First Sting, de 1984. Catch Your Train, na versão unreleased do disco ao vivo Tokyo Tapes, aparece como faixa três. Um jam entre os Scorpions e o Faith No More, My Generation (cover do The Who), vem em seguida, acompanhada do cover do The Doors, a famosíssima Alabama Song.

Segue o disco com Big City Nights, do Love at First Sting, em versão acústica, e Holiday, do disco Lovedrive (1979), com a participação toda especial de Wolfgang Dziony, primeiro baterista da banda. Também do Lovedrive, Always Somewhere vem na sequência, em versão instrumental. A faixa de número 9 é Bridge to Heaven, mais uma nunca lançada, com a participação de Uli Jon Roth, guitarrista que fez história na década de 1970 enquanto esteve na banda - tanto que esta fase dos Scorpions é conhecida entre os fãs como "Era Roth". Jerusalem of Gold é um dueto entre Klaus Meine e a cantora israelense Liel Kolat, lançada em um single homônimo.

A faixa My Love é do italiano Zucchero e executada em um show dos Scorpions de 1999 - um ano depois, Zucchero participaria do disco Moment of Glory, nos vocais de Send Me an Angel. Segue-se Keep the World Safe, mais uma música nunca outrora lançada, e Maybe I Maybe You, do disco Unbreakable (2004), executada apenas no piano. Na sequência, um medley de quatro covers dos Beatles (And I Love Her, Back to Hannover - versão de Back to the USSR -, Yesterday e When I Saw Her Standing There) e Let the Good Times Roll, gravada em um show em Colônia, de 1975.

Pra fechar o disco, New Horizon, outra faixa inédita, Rock My Car que, até onde tenho conhecimento, foi executada uma única vez, no festival Monsters of Rock de 1986, e Doctor Doctor, cover da banda britânica UFO, na qual Michael Schenker, irmão de Rudolf e primeiro guitarrista dos Scorpions, tocou. Finalmente, uma versão ao vivo de The Best is Yet to Come, música que fecha o último disco da banda, Sting in the Tail (2010) e símbolo mor desta nova fase da banda, com ares de despedida em razão da aposentadoria, anunciada ano passado.

Track List
1. Dying for an Angel
2. Pretty at Nite
3. Catch Your Train
4. My Generation
5. Alabama Song
6. Big City Nights
7. Holiday
8. Always Somewhere
9. Bridge to Heaven
10. Jerusalem of Gold
11. My Love
12. Keep the World Safe
13. Maybe I Maybe You
14. Beatles Medley
15. Let the Good Times Roll
16. New Horizon
17. Rock my Car
18. Doctor Doctor
19. The Best is Yet to Come

Faça o download desta álbum aqui.