domingo, 2 de junho de 2013

yes em são paulo - 23/05/2013

O Yes consolidou-se ao longo dos anos como uma das gigantes do gênero que se convém chamar de rock progressivo. Ao lado de Pink Floyd e King Crimson, foi provavelmente a primeira banda a compor seguindo o modelo prog em seu debut de 1969, self-titled. No mês de maio, o Yes fez sua turnê pela América do Sul: começou por Lima, no Peru (16), passou por Brasília (19), Curitiba (21), São Paulo (23 e 24), Rio de Janeiro (25), Porto Alegre (26), Santiago, no Chile (28) e, finalmente, Buenos Aires, Argentina (30). A tour é a Three Album Tour, na qual o Yes toca três de seus maiores clássicos na íntegra: The Yes Album (1971), Close to the Edge (1972) e Going for the One (1977).

A formação atual conta com os veteranos Chris Squire, no baixo e na gaita (o único membro a tocar em todos os registros de estúdio da banda), Steve Howe, na guitarra, slide guitar e violão (o único além de Squire a estar em todos os três registros no estúdio), Alan White, na bateria e percussão, e Geoff Downes no teclado, órgão e piano. O vocalista é o multi-instrumentista Jon Davison que, além de xará do lendário Jon Anderson, tem um timbre de voz impressionantemente semelhante a este último - os membros do Yes o conheceram através de sua banda cover do próprio Yes, chamado Roundabout, e o convidaram para substituir o canadense Benoît David.

O show de abertura para aquele que foi o primeiro show do Yes em São Paulo, no dia 23, foi da banda curitibana de rock prog Seven Side Diamond. A banda é uma grata surpresa para quem, como eu, imaginava que não haveriam bandas progressivas no Brasil com a qualidade do prog estrangeiro. O show, apesar de curto, animou bastante a plateia, e os músicos foram extremamente receptivos e simpáticos após o fim de sua apresentação.

Depois de um intervalo de aproximadamente meia hora, começa a tocar a peça de Igor Stravinsky, The Firebird Suite, com o telão mostrando uma sequência de imagens referentes aos álbuns que seriam executados e, obviamente, imagens da própria banda. Começava ali o show do Yes: a banda entra no palco, faz uma breve saudação ao público e executa a primeira e mais longa música do setlist: Close to the Edge, faixa de abertura do disco homônimo. Há de se destacar aqui o trabalho vocal impecável de Jon Davison, acompanhado dos backing vocals de Chris Squire e Steve Howe. Segue-se o disco tocado na íntegra, com a lindíssima And You and I e seus quase 11 minutos de duração. Para fechar o primeiro disco da noite, a animada e virtuosa Siberian Khatru. Os primeiros quarenta minutos do espetáculo haviam se passado como se fossem cinco. Davison saúda a plateia com um português impecável, longe dos tradicionais "obrigado" e "boa noite" que a maioria das bandas traz às terras tupiniquins.

As luzes voltam sob a introdução nas guitarras de Howe da faixa-título do segundo disco a ser executado na noite: Going for the One é uma música bem menos bucólica que as melodias do disco anterior e com certeza foi um dos pontos altos do show. O clima é novamente quebrado com a excepcional Turn of the Century, com uma letra fantástica e pautada sobre a excelente interpretação de Davison; ninguém naquela noite sentiu-se saudoso aos anos de Jon Anderson no Yes. A introdução de teclado de Downes dá início a Parallels, uma música que se caracteriza pelo baixo marcante de Squire, sempre cirúrgico em sua performance. Segue-se a ela a belíssima Wonderous Stories, mais uma vez marcada pelos vocais de Davison (que pela primeira vez no show assume também os violões). Fechando o segundo disco da noite, a música que o ex-tecladista da banda, Rick Wakeman, traduziu como uma de suas composições mais belas: Awaken é uma música impactante, com um toque angelical particularmente seu, certamente um dos momentos mais inspirados da discografia do Yes. O segundo disco fecha-se, mais uma vez, com os cumprimentos de Davison à plateia, sempre em português, e com a apresentação da banda por Steve Howe.

As batidas secas na caixa da bateria de White (baterista que integrou a banda na turnê do Close to the Edge, em 1972, e está na banda desde então) indicam que é dado início à primeira música do terceiro disco da noite: Yours is no Disgrace, do The Yes Album, uma faixa de letra e instrumental equivalentemente envolventes. Howe apronta seu violão; é dada a hora de seu número solo, Clap, acompanhado pelas palmas de uma plateia extremamente entusiasmada. O show segue com duas das músicas mais icônicas da banda: Starship Trooper, uma suíte de três partes caracterizada por dois solos de Steve Howe (Desillusion e Würm), e I've Seen All Good People, a primeira música do Yes a atingir as rádios de forma mais expressiva. A Venture, a quinta faixa do disco, é acompanhada pelo baixo sempre preciso do icônico Rickenbacker de Squire; finalmente, a belíssima Perpetual Change vem para terminar com os três discos que a banda se propôs a fazer. A banda faz uma breve referência à plateia e retira-se para um intervalo de aproximadamente cinco minutos.

Àquela altura da noite, estávamos todos de pé; a primeira e única música do encore seria o single de maior sucesso da banda, ao menos durante a década de 1970. Claro que estamos falando de Roundabout, a primeira faixa do multi premiado Fragile, de 1971. Em uníssono, a plateia cantou o refrão daquela que é a faixa mais expressiva do Yes no progressivo. Uma nova reverência à plateia para fechar o show e a banda se retira pela última vez aos backstages.

O show do Yes em São Paulo foi uma das maiores demonstrações de que o rock progressivo, diferentemente do que apontam os não-fãs do estilo, está bem longe de ser "chato" ou "sonolento". O público, composto majoritariamente por pessoas na faixa dos 40-60 anos, acompanhou o show entusiasmado em toda a sua duração, que excedeu em pouco as três horas. Parece consenso, entre eu e os amigos ali presentes, que presenciamos um dos melhores shows das nossas vidas - quiçá, o melhor. Um espetáculo recomendado para todas as idades, para pessoas de todos os gostos.

Setlist - HSBC Brasil, São Paulo, São Paulo, Brasil (23/05/2011)

Intro: The Firebird Suite (Igor Stravinsky)

Close to the Edge (1972)
1- Close to the Edge

  • I: The Solid Time of Change
  • II: Total Mass Retain
  • III: I Get Up, I Get Down
  • IV: Seasons of Man

2- And You and I

  • I: Cord of Life
  • II: Eclipse
  • III: The Preacher the Teacher
  • IV: Apocalypse

3- Siberian Khatru

Going for the One (1977)
4- Going for the One
5- Turn of the Century
6- Parallels
7- Wonderous Stories
8- Awaken

The Yes Album (1971)
9- Yours is no Disgrace
10- Clap
11- Starship Trooper

  • I: Life Seeker
  • II: Disillusion
  • III: Würm
12- I've Seen All Good People
  • I: Your Move
  • II: All the Good People
13- A Venture
14- Perpetual Change

Encore:

15- Roundabout (Fragile, 1971)

quinta-feira, 14 de março de 2013

rush - 2112 (1976)

Primeiramente: a todos os amigos do blog, meu mais sincero pedido de desculpas. O tempo anda bem corrido ultimamente, e escrever por aqui tem sido impossível. Alguns posts estão bem encaminhados, e futuramente serão postados aqui. Infelizmente, não conseguimos mais dar conta dos uploads dos discos; portanto, resumiremo-nos apenas às resenhas. Na primeira resenha de 2013, um disco muito especial pra mim, que ouvi exaustivamente nesse tempo de ausência do blog.



Rush em 1975, da esquerda pra direita: Alex Lifeson (guitarra), Neil Peart (bateria) e Geddy Lee (baixo/vocal)
Na segunda metade da década de 1970, o rock progressivo já havia se consolidado enquanto estilo, dentro do que já havia sido feito por outras bandas na década de 1960. Discos como Dark Side of the Moon (Pink Floyd, 1973), Close to the Edge (Yes, 1972), Moving Waves (Focus, 1972) e Aqualung (Jethro Tull, 1971), entre outros, tornaram-se verdadeiros clássicos do prog - ainda hoje são aclamados como alguns dos melhores lançamentos de todos os tempos. O que percebe-se, olhando no panorama musical atual, é que os lançamentos proggers da década de 1970 se resumiam, basicamente, à Europa: não havia nenhum grande expoente do estilo na América, onde à época ganhava força a cena hard rocker, com bandas como Kiss e Aerosmith embalando seus sucessos nas rádios norte-americanas.

Em Cleveland, Ohio, e nos arredores da cidade, começava a ganhar força a música de um power trio de Toronto, no Canadá. O Rush, que a princípio era uma banda basicamente blues, lançou seu disco debut em 1974, sem apoio de nenhuma gravadora (todas as gravadoras canadenses recusaram-se a financiar o disco). Se em seu país de origem o lançamento não foi tão bem recebido, o Rush fez um verdadeiro estardalhaço do outro lado dos Grandes Lagos, com uma turnê americana que rodou mais de 17 mil quilômetros em um carro alugado pelo trio - composto por Geddy Lee (baixo e vocal), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria - Peart assumiu as baquetas dois meses depois do lançamento do disco, que fora gravado por John Rutsey).

Peart, um baterista apaixonado pelo jazz nova iorquino, deu ao Rush uma nova sonoridade, bem mais complexa que o blues trazido por Lee e Lifeson. O disco Fly by Night, de 1975, reflete bastante a drástica mudança na sonoridade do Rush, com quebras de tempo vigorosas e um maior apelo à parte lírica das composições, pelas quais Neil se tornou responsável (e o é ainda hoje). Ainda em 1975, o terceiro disco do Rush, Caress of Steel, foi lançado - dessa vez o disco não foi bem aclamado, por ser ainda mais arrojado que o anterior, incluindo duas suites (The Necromancer, de 12 minutos e 30 segundos, divididos em três partes, e The Fountain of Lamneth, de 19 minutos e 59 segundos, divididos em seis partes). Caress of Steel foi um verdadeiro fracasso comercial, e por muito pouco o Rush não perde seu contrato com a Mercury. Tal fracasso deixou os integrantes furiosos. "Por causa de todas essas pessoas colocando pressão em nós, começamos a olhar a nós mesmos pelos nosso próprios olhos. Sabíamos exatamente que direção deveríamos tomar, e nos pautamos em fazer sucesso em nossos próprios termos", disse Geddy Lee em entrevista.

O quarto disco do Rush veio como resposta - e que resposta! - a todos esses fatores. 2112 (pronuncia-se "twenty-one twelve", ou "vinte-e-um doze") foi lançado em 1976 e acabou se tornando um dos maiores clássicos da banda, seguindo a fórmula já adotada em Caress of Steel, tornando-se o maior sucesso comercial da banda até então e, obviamente, calando a boca de sua gravadora. Atualmente, é um dos dois discos do Rush a compor o famoso livro 1001 Albums You Must Hear Before You Die ("1001 discos que você precisa ouvir antes de morrer", em tradução literal) e é o único a constar na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

Capa de 2112 (1976)
O disco é dividido em duas partes. Na primeira, a faixa-título (a maior música já composta pelo Rush, com colossais 20 minutos e 34 segundos), a banda cria uma espécie de disco conceitual embutido dentro do disco, como um todo. A história trata de uma ficcional civilização futura - em 2062, uma guerra entre os planetas da galáxia resultou na união completa de suas civilizações, que ficou sob o comando da Red Star Solar Federation. No ano de 2112, os tutores da vida na Terra são os padres dos Templos de Syrinx, e está na mão destes padres o controle de tudo que ocorre no planeta - música, pintura, arquitetura, tudo é regido segundo as regras dos Templos.

Um dia, um homem encontra um violão escondido sob uma cachoeira. Abismado com sua fantástica descoberta, o personagem aprende sozinho a tocá-lo e, empolgado, leva-o até os chefes do Templo para anunciá-los. Diferentemente da recepção calorosa que esperava, os padres de Syrinx reprimem violentamente sua música: "Another toy that helped destroy the elder race of men/Forget about your silly whim, it doesn't hit the plan". Desolado, o homem volta pra casa e começa a refletir sobre tudo aquilo.

Eis que pega no sono. Em seus sonhos, ele faz uma viagem astral, guiada por um oráculo, que mostra todos os avanços que a humanidade fizera em outros tempos: homens propensos a falhas, mas com uma imensa sede de curiosidade e prazer pela descoberta. Devido à administração da Red Star e dos padres de Syrinx, a "raça anciã" deixou o planeta para continuar com seus avanços à parte de toda repressão. Subitamente, o homem acorda e começa a maravilhar-se diante de todas as possibilidades que aquela civilização poderia trazer à raça que agora habita a Terra: "Just think of what my life might be/In a world like I have seen/I don't think I can carry on/Carry on this cold and empty life".

Em circunstâncias não detalhadas no enredo da obra, a raça humana retorna ao planeta e, depois de uma intensa batalha, retoma o controle da Terra e expulsa os padres e toda a administração dos Templos. Eis que a primeira parte se fecha, com a voz de Geddy Lee e os dizeres "Attention all the planets of the Solar Federation, we have assumed control" em looping.

Essa primeira parte do disco é uma crítica, ainda que metafórica, à indústria fonográfica vigente. Os barões da indústria, representados aqui pelos padres, tomaram o controle de toda forma artística (em particular, a música) e comercializam-na como se fossem seus donos, impondo limites aos artistas e não os permitindo expressar livremente sua arte. Sob um âmbito atual, quase 40 anos após o lançamento do disco, a indústria encontra-se tão engessada em termos de liberdade artística, sendo tão raro encontrar artistas e composições ímpares, que praticamente vivemos em uma sociedade como a da Red Star. Fica a reflexão: será que um dia seremos libertos dessa condição?

A segunda parte de 2112 (o disco) tem músicas sem um contexto específico. À exceção de Tears, composta exclusivamente por Geddy, e Lessons, composta por Alex, são todas compostas em conjunto por Lee, Lifeson (melodia) e Peart (letra). A Passage to Bangkok é uma música típica do estilo que o Rush trazia consigo desde a inserção de Neil na banda, no Fly by Night; bem como The Twilight Zone, que foi composta e gravada no mesmo dia, enquanto a banda estava trancada na gravação do disco.

Lessons é uma espécie de reflexão auto-biográfica de Alex Lifeson. A letra fala sobre o aprendizado que cada um de nós adquire conforme ganhamos experiência de vida, e o quanto tempos ruins podem transformar-se em lembranças reconfortantes em tempos futuros. Em Tears, Geddy Lee disserta sobre o amor e a eterna montanha-russa emocional que um casal enfrenta em uma vida a dois: "Would it touch you deeper/Than tears that fall from eyes/That know why?".

Starman, "mascote" do Rush
surgido em 2112
Something for Nothing, a última das seis faixas de 2112, foi composta por Neil Peart, e foi baseada na vida de constantes viagens em turnê. Segundo o próprio: "Durante a década de 1970, a banda estava indo em direção a um show na periferia de Los Angeles, no Shrine Auditorium, e eu reparei em uma pichação sob uma placa: 'a liberdade não é livre'. Adaptei tal frase para a faixa que fecha o 2112, Something for Nothing".

A capa do disco tornou-se, ela própria, um clássico da banda. O Starman (que, de certa forma, virou uma espécie de "mascote" do Rush), segundo Peart, representa o homem livre que não se importa com as massas - ou, metaforicamente, o personagem principal narrado em 2112; a estrela vermelha, que representa o logo da Red Star Solar Federation na faixa-título, diz respeito ao senso comum ou, nas palavras de Neil, à "mentalidade coletiva". O Starman está nu em alusão à sua pureza, livre de tradições coletivas ou acordos sociais tais qual o modo de se vestir.

Segundo Lifeson, "2112 foi o primeiro disco no qual o Rush soou como o Rush". Não sei, enquanto um mero ouvinte, até que ponto Alex levou sua frase (certamente impactante) como algo realmente sério. O fato é que 2112 soa como uma obra atual mesmo depois de tanto tempo de seu lançamento, e o impacto causado na sociedade da época com um tema tão complexo deve ter sido mesmo assustador - ainda hoje tal tema faz brilhar os olhos deste que vos escreve. Um disco realmente encantador, com uma temática genial e, alheio a tudo e a todos, comercialmente bem sucedido - somente com a venda nos EUA, conseguiu platina tripla. Sendo ou não o primeiro do "gênero", 2112 é, de fato, tipicamente Rush.

Track List

1. 2112
2. A Passage to Bangkok
3. The Twilight Zone
4. Lessons
5. Tears
6. Something for Nothing

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

o cancro das redes sociais - ou "a arte da zoeira"

O "orkutizar" está amplamente difundido pela rede mundial de computadores, nossa querida internet. O termo - referente, obviamente, ao finado (ou quase) orkut - diz respeito aos usuários que comportam-se como "posers" (outro termo recente, aliás) de certos modos ou coisas que estão em tendência, ou ainda a alguns comportamentos infantis. Entender a "orkutização" da grande rede não é algo assim tão trivial; na verdade, é um processo que vem se arrastando há um tempo muito, muito longo.

Voltemos alguns anos na história. Em meados de 1991, o programador inglês Tim Berners-Lee criou o primeiro site da história, o info.cern.ch. A World Wide Web como a conhecemos atualmente, projetada sobre a ideia dos protocolos de transferência de hipertexto (HTTP) e de controle de transmissão (TCP), assim como o Sistema de Nome de Domínios (DNS), foi inspirada pela ARPANet, criada no fim da década de 1960 para fins militares.

Desde que foi criada, a internet tem sofrido uma expansão espantadora. No Brasil, tal expansão começou com o barateamento dos modens, ainda na metade da década de 1990. No final da década, navegadores como Opera, Netscape Navigator e Internet Explorer já haviam se tornado populares, e a rede já contava com diversos domínios de sites.

A febre chamada internet alcançou níveis extraordinários quando as chamadas redes sociais chegaram à web. A pioneira foi criada em janeiro de 2004 por um estudante da Stanford University, um turco chamado Orkut Büyükkökten, que batizou a rede com seu próprio nome. Com usuários que se polarizaram principalmente no Brasil e na Índia, o orkut em seu ápice chegou a ser o segundo site mais acessado na web brasileira, perdendo apenas para o buscador Google, e estando sempre entre os 50 sites mais acessados no mundo, segundo o Alexa (serviço da Amazon que mede quantos usuários visitam um site da web). Outras redes sociais viraram rapidamente verdadeiros sucessos pela rede mundial de computadores - destaco aqui o Twitter, criado em 2007, e o Facebook, criado em 2004, assim como o orkut.

A juventude, que se via desinteressada do acesso à web, exceto por sites de pesquisas escolares (onde a Wikipedia reinava soberana - e provavelmente ainda reina), logo viu-se imersa no mundo digital através da necessidade de interação com outras pessoas de todo o mundo. O compartilhamento de informações e de arquivos tomou dimensões nunca antes imaginadas na história da humanidade. Pela primeira vez na história, o mundo estava distante entre si apenas por um clique. Pessoas distantes por milhares de quilômetros e que desperdiçavam dias, meses, anos se comunicando através de cartas poderiam, finalmente, conversar em tempo real, inclusive fazendo streaming de áudio e vídeo.

O sonho de troca de informações de forma ilimitada havia se tornado realidade. Isso teve consequências, obviamente, excelentes - e, tão obviamente quanto, desastrosas. Se, por um lado, pessoas que rotineiramente nunca teriam a chance de se conhecer podem se falar diariamente, por outro lado a troca intensa de conteúdo fútil cresceu a níveis estratosféricos. Nessa segunda década do século XXI, pode-se dizer que é muito mais difícil encontrar conteúdo de qualidade ou com embasamento filosófico-científico do que bobagens cotidianas, que antes eram reduzidas aos grupos de fofocas.

Os grupos de fofocas, agora, ganharam uma nova versão. E um novo nome: panelinhas. Grupos de usuários que se unem para ridicularizar uns aos outros; por vezes até ocorre de ser uma brincadeira sadia, mas o mais comum é que não o seja. Afinal, a "zoeira" (palavra antiga, mas que voltou com força total - e novos sinônimos) não pode parar. Prega-se que a "zoeira" não tem limites, mas a verdade é que toda panelinha já se ofendeu com panelinhas adversárias - perceba o leitor a unilateralidade e, acima de tudo, a infantilidade da coisa.

Se me permitem conjecturar, a principal causa da "orkutização" nos meios dos cabeamentos de fibra ótica da rede respeita à terceira lei de Newton, a famosa "ação-e-reação": o follow e o followback. O "follow" é o ato de seguir alguém em uma dada rede social; o "followback", o ato de seguir de volta, quase sempre é uma "retribuição" ao follow. É através dos laços de amizade nas redes que se criam as panelinhas; inimizades surgem entre um membro e outro da mesma rodinha e PAFT!, a panela racha e vira duas. Repita o mesmo procedimento várias e várias vezes e tem-se o "mimimi" que tornaram-se os meios de comunicação via internet atuais.

Qual o futuro das redes sociais? Ninguém sabe. Mas, pelo bem da humanidade, que seja ele bem diferente do presente.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

postagens das novelas nas redes sociais? nunca mais!


Se você tá de saco cheio de seus amigos que postam conteúdos em suas redes sociais relacionados a assuntos fúteis (o final da novela Avenida Brasil hoje, por exemplo), esse post aqui pode servir para você. Abaixo, seguem dicas de como filtrar assuntos para o Twitter e para o Facebook e impedir certo tipo de postagens inúteis.

Twitter (via TweetDeck)

O TweetDeck é uma suite para uso do Twitter que é famosa pela divisão em colunas para a timeline (lugar onde aparecem todos os tweets - mensagens - postadas pelos usuários que você segue - os folowings), as mentions (mensagens postadas e direcionadas a você, direta ou indiretamente), as direct messages, ou DMs (mensagens postadas a você de modo privativo), e assim sucessivamente. O TweetDeck ainda é útil para quem tem mais de uma conta no Twitter: é possível postar vários tweets semelhantes e simultaneamente em cada uma dessas contas, bem como alternar de modo rápido e fácil entre elas.

Mas uma funcionalidade que pouca gente conhece são os filtros globais. Através deles, palavras-chave selecionadas podem ser omitidas de suas colunas - os tweets não "somem", simplesmente, mas o TweetDeck os omite. Para acessar os filtros globais, vá em Seetings > Global Filtres, e adicione ao campo "Using" as palavras que você deseja omitir da TL. Essas palavras aparecerão na forma de uma lista, logo abaixo.


Facebook (via web)

No Facebook, bem como nas redes sociais que se acessam diretamente a partir dos navegadores web, não há uma funcionalidade parecida com o Global Filter do TweetDeck - há a opção de se adicionar o próprio Facebook ao TweetDeck, mas a opção de colunas, neste caso, acaba fazendo com que a rede perca muito de sua funcionalidade, diferentemente do Twitter.

Para tanto, há a opção de adicionar uma extensão ao navegador que funciona mais ou menos da mesma maneira. Uma delas é o F. B. (Fluff Busting) Purity. Para instalá-la, clique no link abaixo e, na sequência, clique no navegador que você usa (disponível para Firefox, Chrome, Safari e Opera):


(No caso do Chrome, o método de instalação é um pouco diferente. Clicando no botão verde, ao lado do ícone do navegador, escrito "Install F.B. Purity - Extension", um arquivo de extensão .crx será baixado para o computador, e ele aparecerá na barra de downloads. No menu do Chrome - três barrinhas horizontais que ficam no canto superior direito -, vá em Ferramentas > Extensões, e uma nova janela será aberta. Depois, é só arrastar o arquivo .crx para a janela aberta e pronto, a extensão será instalada. No caso dos outros navegadores, a extensão é feita de modo automático.)

Após um tempo de espera (que não passa dos cinco minutos), aparecerá um menu do F.B. Purity logo abaixo da caixa de edição de texto, como na imagem abaixo. (Atualize a página inicial do seu Facebook de tempos em tempos, para que o F.B. Purity possa aparecer como mostrado abaixo.) Clique no link "F.B. Purity" para ter acesso ao menu do programa.



No menu principal do programa, na parte esquerda, há uma série de opções que podem ser bloqueadas na linha do tempo do Facebook, como alterações de status de relacionamento alheios, pedidos de likes em páginas do Facebook, ou adições a grupos e a eventos. O que nos interessa aqui é a caixa de texto gigante, no lado direito, intitulada "Custom Text Filter". Nela, bem como no TweetDeck, podem ser adicionadas palavras-chave que serão omitidas da timeline, separadas por quebras de linha.


AdBlock

Extensão bastante conhecida por bloquear adwares e spams facilmente encontrados pela web, o AdBlock, extensão para Chrome (baixe aqui) e Firefox (baixe aqui), também pode ser utilizado nesse intuito. No ícone da extensão (vermelha e com uma mão branca), acesse o menu Options. Na janela que se abre, vá para a aba "Customize" e clique no botão "Edit" para habilitar a caixa de texto que permite o bloqueio das palavras-chave, em processo semelhante ao do TweetDeck e ao do F.B. Purity. Analogamente a este último, as palavras devem ser separadas por quebras de linha. Com o processo terminado, é só clicar em "Save". O AdBlock vale pra todos os sites da web.


Em todos os casos, as palavras-chave podem ser alteradas quando bem entender - para os que não gostam de eventos sazonais, como fins de novelas, futebol ou reality shows, são todos excelentes opções. O lado negativo é que elas não funcionam em dispositivos móveis, apenas em navegadores instalados em computadores. Em casos extremos, estar offline talvez seja a melhor opção.

sábado, 29 de setembro de 2012

scorpions - taken b-side iii

Da esquerda para a direita: Matthias Jabs, Pawel Maciwoda,
Klaus Meine, James Kottak e Rudolf Schenker.

Em abril de 2011, publiquei aqui no blog uma novidade para todos os fãs de Scorpions: uma coletânea com músicas raras, nunca lançadas oficialmente ou versões que foram poucas vezes executadas ao vivo. A coletânea, de nome Taken B-Side II, é um trabalho meu e de meu amigo David e foi lançada em primeira mão aqui no blog. Dando prosseguimento ao trabalho, e em comemoração à recente passagem dos Scorpions pelo país (dia 11 de setembro em Belo Horizonte, dias 20 e 21 em São Paulo), conseguimos reunir mais uma sessão de clássicos, intitulada (pasmem!) Taken B-Side III.

Com relação ao trabalho anterior, posso afirmar que, em termos de qualidade de áudio, o Taken B-Side III supera de forma considerável o seu anterior. Tivemos acesso a vídeos com uma qualidade superior pelo YouTube, através das postagens de fãs da banda por todo o mundo, e pudemos portanto selecionar melhor o que teria qualidade aceitável ou não para entrar no disco. Aliado à normalização de volume e ao processo de correção das músicas em si, posso dizer que o trabalho final ficou muito melhor.

Em 2011, os Scorpions lançaram oficialmente mais um disco, Comeblack, contendo versões atuais para músicas já consagradas, bem como covers de outras bandas igualmente consagradas como os Beatles e os Stones. As três primeiras músicas do Taken B-Side III baseiam-se no lançamento do Comeblack. Big City Nights, clássico absoluto do Love at First Sting (1984) e uma das sobras de estúdio do disco dos Scorpions, abre a coletânea. Em seguida, o cover da música originalmente lançado por Gloria Jones, Tainted Love, em uma versão ao vivo. A terceira música que, assim como Big City Nights, é uma das sobras de estúdio do Comeblack, é um cover dos Yardbirds, Shapes of Things.

Agora, uma segunda trinca: versões ao vivo para músicas do Savage Amusement (1988), o décimo disco de estúdio dos Scorpions. Every Minute Every Day vem para abrir a sequência; depois, os famosos talk-box de Matthias Jabs, mais conhecidos pela versão de estúdio em The Zoo, do disco Animal Magnetism (1980), vêm na versão ao vivo de Media Overkill. Pra fechar, a versão ao vivo da terceira música do Savage Amusement, a espetacular Passion Rules the Game.

Dando prosseguimento ao disco, uma faixa muito interessante na carreira da banda: Heartbreaker. Trata-se, na verdade, de Bad Boys Running Wild, música lançada em 1984 no disco Love at First Sting, mas ainda inacabada - na verdade, Bad Boys Running Wild é uma versão modificada de Heartbreaker, já que a letra e mesmo a melodia têm pequenas diferenças em relação à lançada oficialmente. É interessante salientar que Heartbreaker, tal qual Pretty at Nite (que saiu no Taken B-Side II), pertence ao Love at First Sting Rehearsals (1983), um famoso bootleg gravado durante os ensaios para o lançamento do disco, propriamente dito, e que contava com Jimmy Bain nos baixos e Bobby Rondinelli na bateria (ambos à época integrantes do Rainbow), no lugar de, respectivamente, Francis Buchholz e Herman Rarebell.

Na sequência, mais uma faixa do Savage Amusement, Love on the Run. Thunder and Lightning, faixa bônus do último disco de inéditas dos Scorpions, Sting in the Tail (2010), vem dar sequência ao disco. Agora vem o cover do The Who, Can't Explain, lançado pelos Scorpions na coletânea de 1989, Best of Rockers 'n Ballads, em uma raríssima versão ao vivo. Vem em seguida um cover do UFO, Lipstick Traces, lançado no álbum Phenomena (1974), com Michael Schenker nas guitarras - Michael que, além de irmão de Rudolf, chegou a tocar nos Scorpions em duas oportunidades: no disco de 1979, Lovedrive (que marcava também a entrada de Matthias Jabs na banda) e no debut Lonesome Crow (1972).

E por falar no debut, eis uma das maiores surpresas do disco: a primeira música composta pelos Scorpions, I'm Going Mad, em uma versão raríssima de estúdio, gravada em um single e lançada em 1971 - posteriormente, ela seria também a primeira faixa do Lonesome Crow. Outra raridade é Hell Cat, música originalmente lançada no Virgin Killer em 1976, e aqui com uma versão ao vivo que foi cortada do famoso lançamento dos Scorpions de 1978, Tokyo Tapes.

Capa do Taken B-Side III. As imagens da capa são ensaios do austríaco Gottfried
Helnwein, modelo da capa original do disco Blackout, de 1982.
Hora de o atual batera da banda dar o ar de sua graça na coletânea. James "Crazy" Kottak, conhecido por sua técnica ímpar e por sua irreverência ao vivo, aparece em duas faixas aqui. A primeira delas é SaveUrLove4Me, pouquíssimo conhecida mesmo por alguns fanáticos pelos Scorpions e lançada em 1984 em sua banda, o Apex, numa apresentação no The Garage Club em Jeffersonville, Indiana, EUA. A segunda faixa de Kottak aqui é Holiday, uma versão de estúdio que ele gravou em sua banda, o Kottak, no seu disco debut, Therupy (2006).

Eis aqui uma das muitas músicas subjugadas pelos Scorpions ao vivo, e que acabou se tornando uma das minhas músicas favoritas: a excepcional China White, penúltima faixa do álbum Blackout (1982). A faixa é especial principalmente porque, até onde sei, não há muitos registros dessa música ao vivo, mesmo durante as turnês do Blackout.

Don't Stop at the Top, mais uma do Savage Amusement e mais uma ao vivo, é a décima sétima faixa do disco. A única faixa do Animal Magnetism presente na coletânea é Don't Make No Promisses, também em versão ao vivo, cuja letra retrata as aventuras sexuais, digamos, não convencionais do baterista Herman Rarebell de forma muito divertida. Segue-se a coletânea com mais uma (a quinta e última) faixa do Savage Amusement: We Let it Rock... You Let it Roll, em uma de suas raras aparições nos palcos dos Scorpions.

Por fim, duas faixas icônicas, cada uma a seu modo: The Same Thrill é mais uma das músicas do disco de 1984, Love at First Sting, uma das que não ganhou tanta projeção perante o público - o disco por si só parece uma coletânea, já que boa parte das músicas presentes (inclusive os hinos Rock You Like a Hurricane e Still Loving You) foram muito aclamadas nos palcos e nas rádios ao redor do mundo. Aqui, conseguimos trazê-la em uma versão ao vivo. Pra fechar a coletânea com chave de ouro, como bônus, uma das raríssimas músicas com Uli Jon Roth nas guitarras que tem gravação ao vivo: a belíssima Far Away, do disco Fly to the Rainbow (1974).

Para baixar o disco, clique aqui.


Track List
1. Big City Nights
2. Tainted Love
3. Shapes of Things
4. Every Minute Every Day
5. Media Overkill
6. Passion Rules the Game
7. Heartbreaker
8. Love on the Run
9. Thunder and Lightning
10. Can't Explain
11. Lipstick Traces
12. Hell Cat
13. I'm Going Mad
14. SaveUrLove4Me
15. Holiday
16. China White
17. Don't Stop at the Top
18. Don't Make No Promisses
19. We Let it Rock... You Let it Roll
20. The Same Thrill (bônus)
21. Far Away (bônus)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

megadeth - rust in peace (1990)

Muitas obras no metal podem ter a conotação "petardo" aliadas a elas, muitas vezes de modo quase que intrínseco. Entende-se por petardo, comumente, um som extremamente potente, vigoroso, uma verdadeira porrada na orelha, digno de uma banda de metal. É muito comum que o termo seja associado a discos de vertentes mais extremistas (quase nunca se vê no heavy metal, por exemplo), provavelmente porque o groove associado ao som deixe aquela sensação de crueza, aquela sujeira que só se ouve nas grandes representantes do metal ao redor do mundo. No entanto, é muito raro associar o termo "petardo" com outro termo, "polido", este já mais comum entre vertentes mais próximas ao rock. Um disco polido é um disco bem trabalhado, melodicamente complexo e liricamente bem composto. Este, contudo, é um disco que pode perfeitamente ter os dois adjetivos a ele ligados.

Da esquerda para a direita: David Ellefson, Marty Friedman, Nick Menza e Dave Mustaine

Filho da fúria de Dave Mustaine por ter sido chutado do Metallica (como você pode ler aqui), o Megadeth caracterizou-se em seus três primeiros discos por sua crueza e agressividade, levando o termo "thrash metal" a uma de suas definições mais precisas. Killing is my Business... and Business is Good! (1985), Peace Sells... but Who's Buying? (1986) e So Far, So Good... So What! (1988) têm riffs secos, músicas velozes e não muito longas e uma base de baixo (nos três discos, comandado por David Ellefson) e bateria (nos dois primeiros, Gar Samuelson; no terceiro, Chuck Behler) que precisava acompanhar e dar base aos solos de Mustaine e Chris Poland (no caso do terceiro disco, o outro guitarrista era Jeff Young).

Em mais uma das muitas mutações da formação do Megadeth, entra na banda o baterista Nick Menza, até então roadie de Behler, e o guitarrista Marty Friedman. Friedman desde muito novo se interessou pela cultura havaiana e japonesa, o que trouxe pra ele um estilo único. Sua origem speed metal de suas duas bandas anteriores, o Hawaii e o Cacophony (nesta última, com uma resenha de disco feita aqui, seu parceiro era ninguém menos que Jason Becker), incorporou ao Megadeth um som ainda mais rápido, mas agora mais polido que anteriormente. Nascia em 1990 o quarto disco de estúdio da banda, Rust in Peace.

Rust in Peace é um disco caracteristicamente muito veloz, e isso fica evidente já na introdução da primeira faixa, Holy Wars... the Punishment Due. O riff da música impressiona, além da rapidez, pela precisão cirúrgica que todos os instrumentistas inseriram no disco; não há uma nota fora do tempo, uma virada de bateria que não seja perfeita, uma sujeirinha qualquer. Esse perfeccionismo certamente se deve à entrada de Friedman e seus trabalhos no metal neoclássico, com o Cacophony.

Mas não é por sua precisão que o disco soa menos pesado. Obviamente é muito mais melódico que os trabalhos iniciais do Megadeth, em particular se comparado ao debut de 1985, mas o peso ainda se encontra muito presente a todo instante. Talvez a maior prova seja a terceira faixa, Take No Prisoners, onde os insanos pedais duplos de Menza e as quebras de ritmo a todo o momento marcam os pouco mais de dois minutos da música.

Capa de Rust in Peace; referência à tecnologia da produção
atômica, à criogenia e às teorias da conspiração acerca
 de extraterrestres.
Impossível não citar duas das maiores faixas do metal, particularmente as minhas duas preferidas do disco: Hangar 18 e Lucretia. Ambas as músicas usam e abusam de toda a técnica dos integrantes do Megadeth: arpejos, licks e por vezes o uso do tapping dão o tom das músicas. A ferocidade das Flying V de Mustaine e Friedman permite variações entre os riffs, com um peso maior, e os solos, extremamente melódicos - a nível de thrash metal, claro. Verdadeiras aulas de guitarra.

Rust in Peace dá-se ainda ao luxo de uma faixa puramente experimental: Dawn Patrol, a oitava e penúltima. Como se gravada em um daqueles momentos em que ninguém espera que algo esteja sendo gravado, Ellefson empunha seu baixo e começa a fazer uma base qualquer.  Menza acompanha o ritmo com a bateria, em compassos repetidos por toda a música. Enquanto isso, Mustaine balbucia alguns versos sobre aquecimento global e desastres nucleares - a matriz nuclear, tanto com fins de produção energética como bélicos, pauta praticamente todo o disco.

Em termos de thrash metal, por muitas vezes o Megadeth deixa a desejar; prova disso são os discos mais recentes que, apesar de sempre extremamente técnicos e com uma pegada muito forte, não soam mais como o thrash de outrora. De todo modo, Rust in Peace entra facilmente na lista dos maiores discos da história, não só do metal, me arriscaria dizer, mas da música como um todo - tanto que ele está incluso na famosa lista "1001 Albuns You Must Hear Before You Die". Um disco polido com a pegada de um verdadeiro petardo. Um berzerk sob o traje de um lorde inglês. Simplesmente genial.

Track List
1. Holy Wars... the Punishment Due
2. Hangar 18
3. Take no Prisoners
4. Five Magics
5. Poison Was the Cure
6. Lucretia
7. Tornado of Souls
8. Dawn Patrol
9. Rust in Peace... Polaris

sábado, 4 de agosto de 2012

o grande ditador (the great ditactor, 1940)

Estamos inaugurando uma nova era no blog com este post. Deixaremos de nos resumir às críticas musicais (ou simplesmente críticas) e faremos também críticas do mundo do cinema. Particularmente falando, não sou assim tão entendido da Sétima Arte, mas certas obras me causaram impressões que, penso eu, seriam interessantes passar à frente - ninguém é dono da verdade, e este blog tem como um de seus fins a disseminação do conhecimento. O leitor, claro, tem todo o direito de ajudar a construir tal espaço como bem entender, desde que haja respeito à opinião alheia. Sem mais delongas, a crítica cinematográfica estreante do blog é a do filme O Grande Ditador (1940).

O Grande Ditador (originalmente The Great Ditactor) é um dos mais significativos longa-metragens do notável cineasta inglês Charles Spencer "Charlie" Chaplin. Chaplin se consagrou na história do cinema como um grande ator (na minha opinião, o maior de todos) devido a seus excepcionais trabalhos em filmes como Tempos Modernos (Modern Times, 1936), Luzes da Cidade (City Lights, 1931) e Em Busca do Ouro (The Gold Rush, 1925), todos no cinema mudo, onde seu personagem principal era um vagabundo de nome Carlitos. Com a iminente ameaça alemã, que crescia constantemente desde que o ditador Adolf Hitler assumiu seu cargo como presidente da república alemã, com a morte de Paul von Hindenburg, em 1934, Chaplin escreveu um trabalho com um cunho mais "humanitário", baseados nos acontecimentos da Europa no final da década de 1930, imediatamente antes do estopim da guerra, tudo na forma de uma sátira muito bem feita.

A história gira em torno do próprio Chaplin, que interpreta um cadete da infantaria do governo da Tomânia (nação fictícia que satiriza a Alemanha). Enquanto ele vai salvar um soldado chamado Schultz (interpretado por Reginald Gardiner), a aeronave que trazia os dois colide em uma árvore. Schultz se salva, mas Chaplin fica internado por vinte anos em um hospital, em coma e com uma completa amnésia. Depois de curado, ele volta a trabalhar em sua barbearia, que fica em um gueto judeu. A trama se desenvolve enquanto Adenoid Hynkel (interpretado também por Charlie Chaplin, em clara referência a Adolf Hitler) tenta conquistar a nação vizinha de Osterlich (sátira à Áustria), rivalizando com o ditador de Bactéria, Benzeno Napaloni (respectivamente, referindo-se à Itália e ao líder do regime fascista Benito Mussolini - Napaloni é interpretado por Jack Oakie) pela primazia na invasão.

É legal salientar três cenas clássicas no filme. A primeira delas é a cena clássica em que Hynkel brinca com um globo terrestre de plástico. Chaplin, com sua genialidade típica de metaforizar a realidade de sua sociedade, faz uma clara referência ao rumo que a ditadura do Reich estava tomando: Hitler estava sonhando em conquistar o mundo (como qualquer megalomaníaco com o poder em mãos o faria), mas sua fixação em mostrar a superioridade da raça ariana alemã acabou por destrui-lo. A música que toca ao fundo é parte da ópera Lohengrin, do alemão Richard Wagner.

Uma segunda cena, que me é particularmente muito tocante, é a que vem exatamente na sequência da cena clássica do globo. O barbeiro judeu está aparando a barba de um sujeito que mora no gueto, enquanto o rádio toca a clássica Hungarian Dance n° 5 (em G menor), composta por Johannes Brahms no século XIX. Nessa  cena, fica evidente a genialidade de Chaplin não só como diretor/roteirista, mas também como ator. Seus movimentos enquanto faz os cortes com a navalha seguem à risca a composição de Brahms, tornando a cena cômica mesmo sem uma palavra sequer ter sido dita.


A terceira e última cena que eu destaco, como não poderia deixar de ser, é o ápice do filme. O barbeiro judeu, que fora confundido com Hynkel em certo ponto do filme (para evitar spoilers, deixarei o motivo em aberto), faz o discurso final ao povo da Tomânia, informando sobre a invasão final a Osterlich. Embora seja altamente desprezível entre os cineastas que os atores olhem para a câmera durante a cena, para que o espectador esqueça o aspecto teatral da obra, Chaplin o faz - talvez justamente para que o público perceba o recado com maior lucidez. O discurso final de O Grande Ditador tomou ares de cena clássica do cinema mundial, e sem sombra de dúvidas merece estar entre as cenas mais memoráveis de todos os tempos.
O primeiro filme não-mudo de Chaplin transpôs a barreira do tempo e, apesar de já septuagenário, O Grande Ditador ainda soa incrivelmente atual. Embora o temor da guerra já tenha passado há algum tempo, vivemos em uma era onde a eficiência das máquinas e a velocidade da transmissão das informações por todo o mundo torna-nos escravos dos meios que nós mesmos criamos para nos libertar - um paradoxo que o filme expõe de forma brilhante em seu discurso final. Por esses e diversos outros motivos, O Grande Ditador emplacou seu lugar definitivo na galeria das grandes produções cinematográficas de todos os tempos.
O Grande Ditador (The Great Ditactor)
Duração: 124 minutos
Preto-e-branco
Gênero: Sátira / Comédia Dramática
Lançamento: 15 de outubro de 1940
Direção: Charlie Chaplin
Roteiro: Charlie Chaplin
Produção: Charlie Chaplin

domingo, 22 de julho de 2012

antropocentrismo - o homem e sua arte de fazer maravilhas

Se 1905 foi o anno mirabilis da Física, com os quatro artigos de Albert Einstein sobre a capilaridade, o movimento browniano, o efeito fotoelétrico (que o traria o Nobel em 1921) e a Relatividade Especial, talvez a primeira semana deste mês de julho tenha se traduzido na septimana mirabilis da Física Moderna. A descoberta de um bóson de 126,3 ± 0,6 GeV, fortíssimo candidato a ser o bóson de Higgs, talvez tenha sido só a cereja do bolo de uma semana espetacular para a Física, corroborando com a confirmação do chamado Modelo Teórico, que descreveria o universo (pelo menos o universo que conhecemos) de forma bastante satisfatória.

A mídia muito especula sobre que impacto teria a descoberta da tal "partícula de deus" na Física Moderna. Em primeiro lugar, que fique claro que essa denominação, "partícula de deus", é rechaçada por todos os físicos teóricos ao redor do mundo, bem como dos técnicos responsáveis pelos dois laboratórios do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN, na sigla em francês) que estão à caça do Higgs, o Atlas e o CMS. Trata-se, na verdade, de uma edição da denominação original "the goddamn particle" (a partícula maldita), cunhada em 1993 pelo ganhador do Nobel Leon Lederman. A editora que publicou seu livro achou o termo "maldito" pesado demais e nomeou o livro como "The God Particle: if the Universe is the Answer, What's the Question?" ("A Partícula de Deus: se o universo é a resposta, qual a pergunta?", ainda não traduzido para o português).

O bóson de Higgs é uma das 61 partículas descritas pelo Modelo Padrão da Física. Foi proposto em 1964, pelo americano Peter Higgs, como resposta a uma pergunta fundamental: existem partículas sem massa, como os fótons, e partículas com massa, como os prótons e os nêutrons. Então, como as partículas com massa a adquirem? Segundo a teoria de Higgs, o bóson que leva seu nome, juntamente com o chamado campo de Higgs, agrega algumas dessas partículas (os quarks e os léptons) e as designando massa. As demais partículas - os chamados bósons de calibre, incluindo o próprio Higgs - não têm massa porque não interagem com o campo de Higgs. Em uma analogia bem chula, é mais ou menos como dizer que existe a água e existe o suco de laranja - a diferença está no fato de que o suco de laranja interagiu com uma terceira substância, o pó do suco aromatizado sabor laranja.

O Modelo Padrão é bastante satisfatório para se compreender o universo conhecido de forma razoável - compreende-se por "universo conhecido", no entanto, algo como 4% do que realmente é o universo. Tudo o que conhecemos, desde o nosso pequeno planeta até a colossal VY Canis Majoris, a maior estrela conhecida, estão nestes 4%. Os 96% restantes são o que os cientistas chamam de matéria escura e energia escura. Segundo a Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, todo corpo com massa causa uma deformação no espaço-tempo, tal qual uma bola de boliche causa uma deformação em uma cama elástica. O problema é que há certas regiões do universo que apresentam atração gravitacional sem, no entanto, apresentarem nenhum tipo de massa. Para isso, foram propostas as matéria e energia escuras - são "escuras" porque ainda são um verdadeiro mistério para todos os cientistas que se dedicam a identificá-las.

No entanto, físicos da Universidade Observatório de Munique, na Alemanha, afirmam ter detectado uma espécie de "teia" de matéria escura entre dois aglomerados de galáxias, a cerca de 2,7 bilhões de anos-luz da Terra. Embora os aglomerados de galáxias sejam depósitos gigantes de matéria bariônica (a matéria na forma como a conhecemos), os espaços entre estes aglomerados são ainda maiores, e é nestes gigantes espaços aparentemente vazios que os físicos teóricos esperam encontrar a maior reserva de matéria escura. Jörg Dietrich e sua equipe usaram a luz emitida pelo forte campo gravitacional que une os dois aglomerados para calcular sua massa - imagina-se que, da massa medida, 9% seja atribuída à matéria bariônica do próprio filamento estudado, outros 10% sejam atribuídos às galáxias vizinhas e todo o restante seja a tal matéria escura. O estudo de Dietrich e seus colegas pode ser o primeiro passo para o mapeamento da matéria escura no universo observável, embora não façamos ideia, ainda, do que essa matéria escura é composta; caso a descoberta do Higgs seja mesmo confirmada, este muito provavelmente será a próxima investigação do LHC (Large Hadron Collider, Grande Colisor de Hádrons - hádrons são as partículas de massa "grande", como prótons e nêutrons).

A terceira descoberta impactante da semana vem da Universidade de Griffith, na Austrália. Eric Streed e seus colegas conseguiram, pela primeira vez na história, fotografar a sombra de um átomo. A tarefa parecia ser impossível porque os átomos são bastante imprevisíveis e bastante difíceis de se manter parados o suficiente para que possam ser observados. Streed, no entanto, conseguiu confinar um átomo de itérbio em uma câmara de vácuo, e interações eletromagnéticas fortes o suficiente conseguiram fazê-lo "parar". Com um microscópio em altíssima resolução, Streed conseguiu coletar a sombra que o átomo fazia em um anteparo da câmara. A luz que fora utilizada no experimento tinha uma frequência bastante específica - se essa frequência fosse alterada em um bilionésimo, para mais ou para menos, já não seria mais possível criar a sombra do átomo. E é exatamente essa frequência específica que interessa aos pesquisadores: esses dados podem ser usados futuramente na microbiologia, por exemplo - agora os pesquisadores poderão , por exemplo, saber exatamente quanta luz eles necessitam usar para observar o funcionamento de uma célula sem, no entanto, matá-la.

Notícias como a descoberta do tal bóson candidato a ser o Higgs, ou a "teia" de matéria escura que fora detectada, ou a fotografia da sombra do átomo apenas ajudam a corroborar com a tese de que o pensamento humano não tem limites. Se há pouco mais de 200 atrás mal tínhamos acesso à energia elétrica na forma como a conhecemos, hoje conseguimos enviar sondas para explorar uma das luas de Júpiter ou Saturno, movida a energia nuclear; se há 500 anos atrás a produção de absolutamente qualquer coisa era artesanal, hoje temos máquinas que fazem o mesmo, talvez de forma ainda melhor; se há 1000 anos não conhecíamos o nosso próprio mundo, hoje podemos conhecer outros mundos. Compartilho da mesma opinião que o sempre genial Carl Sagan: fazemos parte da geração que está apenas colocando seus calcanhares no mar do conhecimento. A água permanece um total mistério, e talvez por isso mesmo soe tão convidativa. Pela primeira vez na história, podemos dizer verdadeiramente que estamos no comando do Universo. Mas ainda há muito o que explorar.

sábado, 23 de junho de 2012

abertura da maiden england tour (iron maiden) - charlotte, nc, eua

Ontem, no Verizon Amphitheatre, em Charlotte, North Carolina, EUA, deu-se início à tão esperada Maiden England 2012 Tour, do Iron Maiden. A turnê é comemorativa à turnê do Seventh Son of a Seventh Son, sétimo disco da Donzela, lançado em 1988, e ao registro, na cidade de Birmingham, nos dias 27 e 28 de novembro de 1988, do VHS que leva o nome da atual tour. Para muitos fanáticos pela história do Iron, a tracklist do Maiden England é uma das melhores de toda a história da banda, contendo verdadeiras raridades ao vivo, como Killers (do disco homônimo, de 1981), The Prisoner (lançada no The Number of the Beast, em 1982), Still Life (faixa do Piece of Mind, de 1983) e Seventh Son of a Seventh Son (faixa-título do disco de 1988).

Havia uma apreensão muito grande, por parte dos fãs, acerca de qual seria o setlist deste primeiro show. Durante a última semana, o Maiden lançou um vídeo (abaixo), no qual os integrantes falavam um pouco sobre o que esperavam da tour, e um papel na mão de Dave Murray acabou chamando a atenção por conter músicas que, aparentemente, os membros estavam ensaiando no recesso da banda (vale lembrar que desde 6 de agosto de 2011, quando a Donzela apresentou-se na O2 Arena, em Londres, fechando a The Final Frontier World Tour, não houve nenhuma apresentação da banda).





Por volta das 20h de ontem (21/06/2012), com uma hora de atraso em relação ao previsto, Alice Cooper subiu ao palco, para o show de abertura. Titia Alice, assim como os americanos do Coheed and Cambria, vai excursionar com o Iron nessa primeira perna da tour, que vai passar apenas por EUA e Canadá. Eis que, aproximadamente às 21h15 (horário de Brasília)...

"Seven deadly sins
Seven ways to win
Seven holy paths to hell, and the trip begins..."

Moonchild, música de abertura do Seventh Son of a Seventh Son, fechava com o jejum de quase 11 meses sem shows da Donzela. Era de se esperar, já que ela também foi executada no VHS que deu nome à tour (além de, na minha opinião, ser uma das melhores faixas que o Maiden dispõe para a abertura dos shows). Segue-se o setlist com Can I Play with Madness (também do SSoaSS) e The Prisoner, exatamente a mesma ordem do registro original até aqui, e 2 Minutes to Midnight (Powerslave, 1984), música que é figurinha carimbada nos shows do Maiden.



A primeira surpresa do setlist: Afraid to Shoot Strangers. A música foi lançada no Fear of the Dark, em 1992, e portanto depois da turnê original. A inclusão foi uma surpresa também pelo fato de que a música não era executada desde 1998, na Argentina, e com Bruce nos vocais não era executada desde 1993, assim que ele deixou a banda para seguir sua carreira solo.



Seguindo, temos The Trooper, do disco Piece of Mind. Por incrível que pareça, a música esteve de fora da tracklist original, apesar de hoje ser certa em qualquer show da Donzela. A carne-de-vaca The Number of the Beast, do disco homônimo, vem logo em seguida. A oitava música é Phantom of the Opera, do disco debut Iron Maiden, lançado em 1980, e é uma das preferidas de muitos fãs. Na sequência, outra música quase certa em todo show do Maiden: Run to the Hills, também do The Number of the Beast.



Reza a lenda de que Steve Harris e Cia. não vão muito com a cara de um de seus lançamentos. O álbum em questão é o Somewhere in Time, lançado em 1986. De fato, suas músicas não costumam aparecer nos shows. Neste, no entanto, surgiu uma, que é a mais executada (de longe) do disco: Wasted Years. A composição, de Adrian Smith, deu início à parte mais épica de todo o show, que teve continuação com a execução de Seventh Son of a Seventh Son, do disco homônimo, e talvez a mais esperada de todo o show, dentre as anteriormente confirmadas. O espetáculo tornou-se ainda maior pelo Eddie gigante surgido atrás do palco, que retrata o diabo na história original da música - o disco, como um todo, é baseado na obra de Orson Scott Card, The Seventh Son. Emendando-se a esta, vem The Clairvoyant, ainda do SSoaSS.



A décima terceira música do show foi duramente criticada por boa parte das pessoas que acompanharam a cobertura do show ao vivo, através de blogs como o Iron Maiden Brasil e o Flight 666, foi Fear of the Dark. A música, lançada no disco homônimo, segundo a maioria, é uma música que "já deu o que tinha que dar" - em outras palavras, de tão repetitiva acabou se tornando óbvia e não acrescentando nada ao setlist, opinião da qual compartilho. A primeira parte do show fecha-se então com Iron Maiden, faixa-título do disco debut.



Poucos minutos depois, a banda volta ao palco para tocar seu encore. Quando o famoso discurso de Winston Churchill, após a Inglaterra ingressar na Segunda Guerra Mundial, começa a ser reproduzido, todos sabemos que é hora de Aces High, faixa de abertura do disco Powerslave. Segue-se a ela The Evil that Men Do, a quinta música do Seventh Son of a Seventh Son a ser incluída no show (sendo que o disco tem oito músicas). Pra fechar de vez, mais uma música do debut do Maiden, homônimo: Running Free.



É interessante salientar que houve uma lista, divulgada ainda durante o show de Alice Cooper, que informava aquele que seria, em tese, o setlist do show. De fato, à medida que o show caminhava, percebeu-se que era mesmo o setlist oficial. Segue a imagem abaixo.



Nota-se, durante o setlist, que as músicas foram escolhidas a dedo, de uma forma que agradasse ao público, à banda, que teve que ensaiar muito as músicas que não foram tocadas durante muito tempo neste longo intervalo entre as tours, e que também fosse coerente com o setlist do Maiden England original. De fato, o setlist escolhido foi muito bom, com a ressalva de Fear of the Dark, já ressaltada anteriormente, e as ausências de Killers, Still Life e, principalmente, Infinite Dreams (Seventh Son of a Seventh Son).

No entanto, nenhuma ausência foi mais sentida que Hallowed Be Thy Name. A música, lançada em 1982 no The Number of the Beast, nunca havia ficado de fora de um setlist da banda desde então. O baterista Nicko McBrain chegou a afirmar, em tom de brincadeira, que não subiria no palco caso a música não fosse executada em algum show. E pela primeira vez em 30 anos, ela não estava lá. De qualquer forma, certamente ela aparecerá no decorrer da tour: se vocês repararem bem, na imagem de Dave Murray, lá em cima, aparece no papel NOTB (Number of the Beast, the), Phantom (of the Opera) e Hallowed (Be Thy Name), entre outras.

Os fãs brasileiros, inclusive este que vos fala, ficam na expectativa para a confirmação de novas datas da Maiden England 2012 Tour em outras partes do mundo, inclusive no Brasil. Rola um burburinho muito forte de que eles possam vir ao Brasil por volta de março de 2013 - a última vez que o Maiden esteve aqui foi em março/abril de 2011 e passou por São Paulo, Curitiba, Belém, Rio de Janeiro, Brasília e Recife. Ficamos na espera por novidades. Up the Irons!

Setlist - Verizon Wireless Amphitheatre, Charlotte, North Carolina, EUA (21/06/2012)

1- Moonchild (Seventh Son of a Seventh Son, 1988)
2- Can I Play with Madness (Seventh Son of a Seventh Son, 1988)
3- The Prisoner (The Number of the Beast, 1982)
4- 2 Minutes to Midnight (Powerslave, 1984)
5- Afraid to Shoot Strangers (Fear of the Dark, 1992)
6- The Trooper (Piece of Mind, 1983)
7- The Number of the Beast (The Number of the Beast, 1982)
8- Phantom of the Opera (Iron Maiden, 1980)
9- Run to the Hills (The Number of the Beast, 1982)
10- Wasted Years (Somewhere in Time, 1986)
11- Seventh Son of a Seventh Son (Seventh Son of a Seventh Son, 1988)
12- The Clairvoyant (Seventh Son of a Seventh Son, 1988)
13- Fear of the Dark (Fear of the Dark, 1992)
14- Iron Maiden (Iron Maiden, 1980)

Encore:

15- Aces High (Powerslave, 1984)
16- The Evil that Men Do (Seventh Son of a Seventh Son, 1988)
17- Running Free (Iron Maiden, 1980)