quarta-feira, 9 de março de 2011

diversos autores - sp metal (1984)





Se tenho dúvidas quanto a ter nascido na época errada, com certeza nasci no lugar certo. São Paulo, estado ou cidade, abrigou noites ímpares de entretenimento. Arrisco a dizer que ainda são as melhores do território nacional e os dois álbuns que vos apresento são um forte argumento de minha tese.

A cena paulista do início dos anos 80 efervescia com grupos que se atreveram a lançar material em língua portuguesa, quase um suicídio para as pretensões comerciais da época. São eles os protagonistas de SP Metal, coletânea do selo brazuca Baratos Afins, lendária loja que figura vívida no coração da Galeria do Rock.

E como brasileiro que se preza dá mais valor ao que é feito lá fora, as oito bandas aqui apresentadas, embora cheias de vigor e incrível potencial, tornaram-se alvo fácil do esquecimento coletivo. Enfrentaram injustas alegações de plágio da matriz musical estrangeira numa época em que Rock in Rio não passava de um projeto, tampouco a Rede Globo havia comprado a ideia do metal pesado.

Não deixa de ser engraçado que semelhantes críticas pouco atingissem a Jovem Guarda, movimento cultural restrito ao modelo estadunidense de valores, hábitos e consumo. Roberto Carlos namorou uma Suzy, ensinou que a aclimatização de um calhambeque aos trópicos não surtia efeito algum no seu bi-bi e nem por isso deixou de ser o cantor mais bem-sucedido da música popular brasileira.

Contradições à parte, um triste adendo: Júlio Michaelis, ex-vocal do Santuário, faleceu em dezembro do ano passado. Seu último trabalho foi uma participação na música-tema do documentário “Brasil Heavy Metal”, que é dirigido por seu irmão Ricardo Michaelis e tem tudo a ver com este post.

Track List (CD I)
1. Missão Metálica - Avenger
2. Duas Rodas - Centúrias
3. Matthew Hopkins - Vírus
4. Cabeça Metal - Salário Mínimo
5. Portas Negras - Centúrias
6. Delírio Estelar - Salário Mínimo
7. Cidadão do Mundo - Avenger
8. Batalha no Setor Antares - Vírus

Track List (CD II)
1. Espártaco, Gladiador Rei - Santuário
2. Príncipe da Escuridão - Korzus
3. Rock, Rock, Rock - Abutre
4. Viajante Perdido - Performances
5. Quando o Fogo Começa a Arder - Abutre
6. Guerreiro da Paz - Performances
7. Santuário - Santuário
8. Guerreiros do Metal - Korzus

O download deste álbum pode ser feito aqui.

terça-feira, 8 de março de 2011

iron maiden - maiden voyage (1998)




Steve Drewett, Trevor Thoms, Barry Skeels e Paul Reynolds

Mais uma banda nova hoje. Apresento-vos o Iron Maiden, banda inglesa. A essa altura do campeonato, você deve estar se perguntando: WTF? Fiquem tranquilos, este não é o Iron Maiden de Bruce Dickinson, Steve Harris, Dave Murray, Adrian Smith, Janick Gers e Nicko McBrain, de The Number of the Beast e The Trooper. Este é o primeiro Iron Maiden, uma banda da década de 1960 oriunda de Basildon, Essex, Inglaterra.

Diferentemente de seu "primo" rico, o Iron Maiden fazia um som mais progressivo, com uma pegada bem blues e, às vezes, psicodélica. As origens da banda remontam a 1964, quando Steve Drewett (vocal), Chris Rose (guitarra solo), Barry Skeels (baixo) e Alan Hooker (bateria) decidiram formar uma banda para tocar em alguns pubs de Londres, onde, à época, reinavam os "dinossauros do rock", como Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley e Janis Joplin.

Por volta de 1966, Alan Hooker já estava fora da banda, e Tom Loates (guitarra base) e Stan Gillem (bateria) foram chamados para juntar-se ao grupo. Neste meio tempo, eles haviam adotado o nome de Growth, mas continuavam a fazer covers dos Stones. Como a banda, até então, não tinha aspirações maiores, houve uma "debandada", de modo que só restaram Drewett e Skeels, que passaram a tocar com o nome Stevenson's Blues Department.

Em 1968 - e talvez seja aqui que, de fato, começa a história do Iron Maiden -, juntaram-se Trev Thoms (guitarra) e Paul Reynolds (bateria). As coisas começaram a caminhar para a banda quando eles adotaram o nome Bum (algo como "vagabundo", além de ser uma gíria britânica para "bunda") e gravaram seu primeiro acetato, God of Darkness/Ballad of Martha Kent. O curioso é que essa foi a fase de maior sucesso da banda, que chegou a abrir shows de bandas "gigantes" à época, como Jethro Tull, Fletwood Mac, The Groundhogs e King Crimson. Skeels certa vez disse, em entrevista: "Chegamos a fazer mais sucesso como Bum do que como Iron Maiden (risos)".

Em 1969, eles assinaram com o selo Gemini. Entre as condições, a gravadora exigiu apenas que o nome da banda fosse trocado (por ser um tanto ousado e, na visão dos mais conservadores, até ofensivo). Foi decidido então que o nome original, Iron Maiden, voltaria - e dessa vez, finalmente, para ficar. Paul Reynolds deixa a bateria da banda e dá lugar a Steve Chapman. Grava-se mais um single, Ned Kelly/Falling, que mais uma vez foi bem aceito pelo público em geral. (Coincidentemente, Mick Jagger havia acabado de lançar um filme, também de nome Ned Kelly. Além do mais, o single trouxe outra curiosidade: era o de maior duração até o momento.) A banda abriu shows para David Bowie e The Who, entre outros, e até uma mini turnê australiana foi feita. Foram gravadas mais quatro músicas que, a exemplo das anteriores, seriam (a priori) lançadas em dois singles: Liar/Ritual e CC Ryder/Plague.

Foi aí que as coisas começaram a desmoronar pro Maiden: o selo Gemini quebrou, e as fitas master do disco que seria lançado ainda naquele ano (o Maiden Voyage em si) foram perdidas. (Skeels afirma que o disco tenha sido lançado na Alemanha, embora nunca se tenha comprovado nada.) Skeels, de tão decepcionado, decide deixar a banda. A banda até continuou um tempo sem ele, mas já sem a mesma notoriedade de anos atrás, até que finalmente se encerraram as atividades em 1972.

Somente em 1998, o tão sonhado disco Maiden Voyage foi lançado. Barry Skeels encontrou, por acaso, cópias das fitas originais das músicas e as lançou, dando créditos a Trev Thoms, Steve Drewett e Steve Chapman pelas gravações. Apesar de sua história "trágica", o disco tem qualidade muito boa, devido ao trabalho pesado de remasterização ao qual foi exposto.

Track List
1. Falling
2. Ned Kelly
3. Liar
4. Ritual
5. CC Ryder
6. Plague
7. Ballad of Martha Kent
8. God of Darkness

O álbum pode ser baixado aqui.

segunda-feira, 7 de março de 2011

horse - horse (1970)

Adrian Hawkins, Colin Standring, Rod Roach e Rick Parnell

Há um motivo, em especial, que me faz curtir o rock progressivo e todas as suas diversas variantes: a quebra de padrões que muitos considerariam estéticos. O rock prog é isso, o experimentalismo aliado à técnica, por vezes - embora isso seja um pouco mais raro - unidos à velocidade. Mas, justamente pela quebra desses padrões "normais", o progressivo é muitas vezes menosprezado pelos rockers de plantão. Pois bem, apresento-vos uma banda que soube, a meu ver, mesclar com perfeição ímpar toda essa "magia" do progressivo com um padrão estético aceitável aos fãs dos anos 1970, o Horse

O Horse foi uma banda de progressivo dos anos 1970, como várias outras muito menos underground que ela, como o Pink Floyd, o Yes, o Genesis e o Gentle Giant. A diferença é que o único disco que o Horse lançou não lembra em absolutamente nada clássicos como o Dark Side of the Moon (Pink Floyd), o Fragile (Yes) ou o Aqualung (Jethro Tull), flertando, inclusive, por um ritmo que bandas como o Uriah Heep e o Led Zeppelin estavam "inaugurando" mais ou menos paralelamente ao lançamento do disco do Horse, o hard rock. Em sua única formação, contou com Adrian Hawkins (vocal), Rod Roach (guitarra), Colin Standring (baixo) e Steve Holley (bateria).

The Sacrifice, a faixa de abertura, já dá ideia do que é a banda: um "progressivo rock n' roll", a mistura da levada rocker com o experimentalismo prog. A música seguinte, See the People Creeping Round, é talvez a mais progressiva em si de todo o disco, uma levada que condiz bem com o que foram os anos 1970. And I Have Loved You lembra em muito o estilo de plágio composição do Led Zeppelin. Freedom Rider é a típica música "iê iê iê" dos primórdios dos Beatles, porém com um toque de requinte puramente seu.

Lost Control, To Greet the Sun, The Journey e Heat of the Summer, as faixas seguintes, assim como See the People Creeping Round, tem uma levada bem mais progressiva, com algumas passagens inclusive psicodélicas, bem ao estilo "Barrettiano" (em referência a Syd Barrett, primeiro vocalista/guitarrista do Pink Floyd e famoso por compor músicas com um requinte de "loucura").

Em Gypsy Queen, a banda volta com uma pegada um pouco mais hard mas, claro, sem deixar de lado o prog, e ainda com alguns vestígios do psicodelismo das faixas anteriores. Pra fechar o álbum com chave de ouro, Step Out of Line, praticamente um hard rock melódico, que lembra o caminho que algumas bandas, anos mais tarde, seguiriam, como os Scorpions e o Aerosmith, em seus primeiros discos.

Track List
1. The Sacrifice
2. See the People Creeping Round
3. And I Have Loved You
4. Freedom Rider
5. Lost Control
6. To Greet the Sun
7. The Journey
8. Heat of the Summer
9. Gypsy Queen
10. Step Out of Line

O download deste álbum pode ser feito aqui.

domingo, 6 de março de 2011

band of skulls - baby darling doll face honey (2009)

Da esquerda para a direita: Russel Marsden,
Emma Richardson e Matt Hayward

Prometi apresentar-vos bandas da nova geração, não é? Pois bem, creio que este seja um bom começo. Aliás, ótimo. A Band of Skulls é uma das chamadas "garage rock bands". Originária de Southampton, Inglaterra, a banda conta em sua formação com Emma Richardson (baixo e vocais), Russell Marsden (guitarra e vocais) e Matt Hayward (bateria), amigos dos tempos de escola.

E aqui vos apresento o disco debut e, por ora, o único registro da banda, o excelente Baby Darling Doll Face Honey, de 2009. Tem uma sonoridade fantástica, que por vezes remonta às bandas mais "classudas" do bom e velho rock inglês, mas não deixa de apresentar uma identidade só sua. Me arriscaria a chamar de new hard rock, em virtude dessa mescla de modernidade com a veia clássica.

O disco começa com o petardo Light of the Morning, que já escancara o que o disco virá a ser, com seu jogo de palavras fascinante. Death by Diamond and Pearls serve quase como uma ponte entre Light of the Morning e a próxima, I Know what I Am, que chegou a emplacar algumas aparições periódicas na MTV ano passado, por onde a conheci. E não é difícil ver o porquê de tamanho sucesso: o refrãozinho chiclete "But it's alright, it's OK, I got the time, but the time don't pay" é empolgante.

A seguir, Fires, particularmente uma das minhas favoritas, e Honest, vem com um clima mais cadenciado, que é novamente quebrado por Patterns e Bomb, tipicamente hard rock. Impossible, minha favorita, lembra um pouco a sonoridade indie da nova geração, mas traz consigo o selo Band of Skulls bem estampado. Pra fechar o disco, as não menos excelentes Blood, Dull Gold Heart e Hollywood Bowl.

Track List
1. Light of the Morning
2. Death by Diamonds and Pearls
3. I Know What I Am
4. Fires
5. Honest
6. Patterns
7. Bomb
8. Impossible
9. Blood
10. Dull Gold Heart
11. Hollywood Bowl

O download deste álbum pode ser feito aqui.

sexta-feira, 4 de março de 2011

sobre o questão das malvinas




Este, caros amigos, é um blog de improviso, praticamente. Ninguém sabe de onde veio nem pra onde vai. O fato é que ele existe, e seu futuro a Deus pertence ninguém sabe.

O questão das malvinas surgiu em uma conversa casual entre eu e meu amigo Eduardo via GTalk. Despretensiosamente, ele me sugeriu:

- Cara, eu estava pensando: o que você acha de termos um blog?

Já era desejo antigo meu ter um blog, porém sempre me faltou o estímulo em prosseguir. Mas em parceria, talvez, a coisa andasse. Quase que instintivamente, aceitei a proposta.

A seguir, ficamos conversando, durante mais de uma hora, sobre as regras, padrões e coisas mais ínfimas, que não vale salientar neste texto introdutório porque serão notórias posteriormente. Esquecemos de apenas um único "detalhe":

- Olha, temos discutido muito sobre os rumos que o blog pode vir a tomar, mas esquecemos de uma coisa que, embora passe meramente despercebida, tem uma importância fundamental no blog.
- E que "coisa" seria essa?
- Bom, todo blog tem um nome, e...

Claro! Como pode isso passar batido dessa forma? Tudo bem que discussões como estilo, modos de postagem e até mesmo o servidor escolhido para o blog são de suma importância, mas... e o nome? Um blog tem que ter um nome! E não pode ser simplesmente "nameless", como eu sugeri na base da brincadeira. O nome do blog era algo que deveríamos zelar. Mas zelar pelo quê, se estávamos num impasse?

- Olha, dadas as circunstâncias pelas quais passamos, esse "lapso criativo" na escolha de um nome, pensei em "questão das malvinas". Foi o que me veio à cabeça agora, associado a essa situação um tanto constrangedora na qual nos encontramos.

A mim, parecia perfeito. Um nome simples, provavelmente disponível, e ao mesmo tempo sutil - além da pitadinha non-sense. E pronto, vocês agora sabem a história deste blog :)

Mas lembrem-se: a partir do momento em que você mergulhou cá, você passou a fazer parte desta história. É de suma importância (os amigos blogueiros sabem perfeitamente do que estou falando) a participação de todos e de cada um de vocês. São vocês, amigos, o combustível desta locomotiva. portanto, peço-lhes encarecidamente: avaliem, sugiram, critiquem, elogiem, recomendem... participem! Este blog foi feito para vocês e é feito por vocês!

Saudações cordiais! Keep on rockin'!

andré e suas considerações iniciais




Setembro de 2008. Eu era um dos típicos nerds que dava mais atenção a um livro que à própria mãe. E, à época em que fazia meu curso técnico em Informática, um dos professores pediu a ser apresentado um trabalho. O tema? "Quero que vocês façam sobre qualquer banda. O resto é com vocês."

Eu era um cara nem um pouco ligado à música, e por isso mesmo escolhi a banda que minha mãe gostava a algum tempo, o Roupa Nova. Foi um trabalho aparentemente despretencioso, mais uma daquelas chatisses de sempre, imaginava eu. Até que uma dupla subiu no palco e me apresentou a uma banda alemã, que ainda hoje é a minha favorita: os Scorpions.

Aqueles dois caras me apresentaram um universo tão diferente e tão rico que eu me identifiquei logo de cara. Comecei com algumas músicas dispersas, depois álbuns e, finalmente, a discografia. E depois que eu me "cansei", parti em busca de novos horizontes. E cá estou eu, apresentando-vos a minha paixão mor, que deixou inclusive de se limitar ao rock e partir para veias um pouco mais dispersas deste universo chamado música.

O meu objetivo principal aqui no blog não é mudar a cabeça de ninguém, longe disso. Espero, simplesmente, compartilhar do pouco que sei com todos vocês, e é claro que aguardo a reciprocidade. Prometo dar o melhor de mim, na medida do possível, para que tudo ocorra da forma que eu espero.

Abraços, amigos! Keep on rockin'!

eduardo e suas considerações iniciais




Mera curiosidade infantil fez com que eu ouvisse um CD empoeirado contendo sete sinfonias completas de diversos autores, parte de um daqueles box ecléticos que inauguravam a era do disco compacto no Brasil. Este foi meu primeiro estímulo auditivo e desde então nunca mais parei de ouvir, apreciar, estudar e criticar música.

Anos mais tarde, aproveitando-se da ausência do patrão, um colega de trabalho começou a ouvir algo bem alto no escritório. Aquilo era técnico, pesado e incrivelmente expressivo. Uma sensação de encantamento semelhante às das primeiras audições de música clássica me invadia, quando não resisti e perguntei:

- O que é isso que está tocando?!

- Aces High, Iron Maiden.

Sua resposta curta, sem maiores explicações, supunha que eu já tivesse escutado aqueles caras pelo menos uma vez na vida. Minha ingenuidade era tamanha que quase perguntei se Aces High era o nome da música ou da banda. Começava ali a segunda (e não menos intensa) paixão de meus ouvidos: o bom, velho e tradicional heavy metal.

De agora em diante, faço uso deste espaço para compartilhar com vocês minhas experiências livres de fanatismos por este ou aquele gênero. Suas visitas e comentários serão o combustível desta iniciativa conjunta.

Sejam bem-vindos!